O caminho maniqueu

O estudo da essência do mal.

 
 
 
Início
Textos
Palestras
Livros
Poesias/Artes/Contos
Links preferenciais





Do livro “Die Tempellegende und die Goldene Legende” (A Lenda do Templo e a Lenda Áurea) – GA93
Rudolf Steiner, 11 novembro 1904.

O Maniqueísmo

Falaremos algo sobre a maçonaria, conforme me pediram. Porém não poderemos entender a maçonaria, sem antes considerar correntes espirituais anteriores relacionadas a ela de tal maneira que a maçonaria, por assim dizer, provém delas. Uma corrente espiritual ainda mais importante que os rosa-cruzes foi o maniqueísmo. Portanto, precisamos falar primeiro sobre este movimento muito mais importante, e mais tarde poderemos também lançar uma luz sobre a maçonaria.
O que tenho a dizer sobre isto está relacionado a várias coisas que têm relação com a vida espiritual presente e futura. Apenas como introdução, quero apontar que em outra ocasião indiquei o problema Fausto como especialmente importante para a nova vida espiritual - para lhes mostrar com isto que, quando nos ocupamos com estas áreas, sempre é preciso nos relacionar a algo, mesmo que veladamente; por isso também foi feita a ligação, no primeiro caderno de “Lúcifer”, do movimento espiritual moderno com o problema Fausto. Assim como eu o coloquei em meu artigo sobre Lúcifer, minha alusão ao problema Fausto não foi sem certo embasamento. 

Para ligar as coisas em questão, precisamos primeiramente partir de uma direção espiritual, que historicamente surgiu por volta do sec. III. É a tal corrente espiritual que encontrou em Sto.Agostinho seu grande opositor, apesar de ter sido seguidor desta corrente, antes de se converter ao catolicismo. Estamos falando do maniqueísmo, fundado por uma pessoa que se autodenominava Mani e que viveu por volta do sec. III depois de Cristo. O movimento partiu de uma região que na época era dominada pelos reis da Ásia Menor, ou seja, ela se origina das regiões do Oriente Próximo. Este Mani fundou uma corrente espiritual que no início abrangia uma pequena seita, mas que se transformou em uma poderosa corrente espiritual. Os Albigenses, Valdenses e Cátaros, da Idade Média, são a continuação desta corrente espiritual, à qual também ainda pertencem – através de um estranho encadeamento de circunstâncias – a Ordem dos Templários e a maçonaria, a serem discutidos separadamente. Na verdade é aqui onde se encaixa a maçonaria, apesar de ter se ligado com outras correntes como, por exemplo, os rosa-cruzes.

A história conhecida, que nos foi contada por Mani, é extremamente simples. 
Conta-se que, nas regiões da Ásia Menor viveu um comerciante que era muito sábio. Ele escreveu quatro obras significativas: primeiramente os Mistérios, em segundo lugar os Capitola, em terceiro lugar o Evangelho e em quarto o Thesaurus. Além disso, conta-se que ao morrer ele legou estas obras à sua viúva, que era Persa. Esta viúva, por sua vez, as deixou a um escravo, que ela comprou e libertou. Este teria sido o dito Mani, que assim adquiriu sua sabedoria através destes escritos, mas que, além disso, tinha sido iniciado nos Mistérios do Mitras. Então ele iniciou este movimento do maniqueísmo. Também se chama Mani de ”filho da viúva” e seus seguidores são os “filhos da viúva”. Mas ele próprio, Mani, se denominava “”Parácleto”, o Espírito Santo prometido por Cristo para a humanidade. Ele dizia ser uma das encarnações daquele Espírito Santo – é assim que isso deve ser interpretado; não que ele fosse, dizia ele, o único Espírito Santo. Ele imaginava que este Espírito Santo aparece em reencarnações e dizia ser uma destas reencarnações do Espírito.
A doutrina que ele anunciava, foi combatida veementemente por Agostinho, quando este se converteu ao catolicismo. Agostinho confrontava sua visão sobre o catolicismo com a doutrina maniqueísta, a qual ele faz representar por uma personalidade que ele chama de Faustus. Faustus é o que luta contra Agostinho.

Aqui está a origem do Fausto.....visão do mal...(1)
Normalmente se conhece da doutrina maniqueísta é que ela se diferencia do cristianismo do Ocidente pela sua concepção diferente sobre o Mal. Enquanto o cristianismo católico é da opinião que o Mal parte de uma deserção de origem divina, de uma deserção de, originariamente, bons espíritos de Deus, o maniqueísmo ensina que o Mal é tão eterno quanto o Bem; que não há ressurreição do corpo e que o Mal, como tal, não terá fim. Portanto, não tem começo, e sim a mesma origem do Bem. E também não terá fim.
Se você apreende o maniqueísmo desta maneira, ele parece algo radicalmente anticristão e algo totalmente incompreensível.
Agora vamos examinar o assunto a fundo, através das tradições, que devem provir do próprio Mani, e provar do que se trata efetivamente. A lenda do maniqueísmo nos fornece um indício palpável para esta prova, uma lenda como aquela que lhes contei há pouco tempo sobre o Templo. Todas essas correntes espirituais, relacionadas a iniciações, expressam-se exotericamente em forma de lendas. Só que a lenda do maniqueísmo é uma grande lenda cósmica, uma lenda de feitio sobrenatural.
Nela se conta que uma vez os espíritos das Trevas queriam atacar o Reino da Luz. Chegaram de fato até as fronteiras do Reino da Luz e quiseram conquistar o Reino da Luz. Mas não conseguiram fazer nada contra o Reino da Luz. Deveriam então – e aqui está um traço muito profundo, para o qual peço sua atenção – ser castigados pelo Reino da Luz. Mas no Reino da Luz não havia nenhum Mal, só o Bem. Portanto os demônios das trevas só poderiam ser castigados com algo de bom. O que aconteceu então? Aconteceu o seguinte: os espíritos do Reino da Luz pegaram uma parte de seu próprio reino e o misturaram com o reino material das trevas. Esta mistura de uma parte do Reino da Luz com o Reino das Trevas fez surgir um elemento fermentativo, que transformou o Reino das Trevas em uma dança caótica de rodopio. Este fato trouxe um novo elemento: a Morte. Assim sendo, ele se auto consome continuamente e traz em si o gérmen de sua própria destruição. Conta-se também que a espécie humana surgiu por isso ter acontecido. O homem primevo seria justamente isto que tinha sido enviado pelo Reino da Luz para se misturar ao Reino das Trevas e superar, por meio da Morte, aquilo que não deveria existir no Reino das Trevas. Ou seja, superá-lo em si mesmo. 

O pensamento profundo que está por trás disto é que o Reino das Trevas deve ser superado pelo Reino da Luz através da brandura e não pelo castigo; não contrariando o Mal, mas misturando-se a ele, para redimir o Mal como tal. Desta maneira, o próprio Mal se redime pelo fato de que uma parte da Luz penetra nele.

Isso se baseia na compreensão do Mal, que eu já discuti muitas vezes como compreensão teosófica. O que é o Mal? Não é nada mais do que um Bem na hora errada. Cito um exemplo que já usei em outras vezes: imaginemos que estamos lidando com um excelente pianista e um excelente técnico de piano, ambos perfeitos a seu modo. Primeiro o técnico tem que construir o instrumento e depois entregá-lo ao pianista. Se este último é um bom pianista ele vai utilizar o instrumento de acordo, e assim, ambos representam o Bem. Se, no entanto, o técnico, ao invés do pianista, se pusesse a martelar na sala de concertos, ele estaria no lugar errado. O Bem assim se converteria em Mal. Desta maneira vemos que o Mal nada mais é do que o Bem no lugar errado. 

Se algo - que em determinado momento é excepcionalmente bom – se detivesse, se tornasse rígido, e em seu percurso prejudicasse o progresso antes alcançado, certamente agora seria algo mau, porque estaria contrariando o Bem. Imaginemos se as forças condutoras da época da Antiga Lua - quando estavam completas à sua maneira, e finalizaram sua atividade - se imiscuíssem por mais tempo no desenvolvimento. Naquele instante elas representariam o Mal no desenvolvimento terreno. Desta maneira, o Mal não é outra coisa senão o divino, pois no outro tempo a expressão da perfeição e do divino foi aquilo que agora, no tempo presente, (unzeit) é o Mal.

É neste sentido profundo que devemos compreender a concepção maniqueísta, que o Bem e o Mal no fundo são da mesma espécie, ou seja, iguais no seu começo e iguais no seu fim. Se tomarmos esta visão desta maneira, entenderemos o que Mani realmente queria sugerir. Por outro lado precisamos explicar primeiro porque Mani se denominava “filho da viúva” e porque seus seguidores se denominavam “filhos da viúva”.

Se retrocedermos para as épocas mais antigas, anteriores à atual raça-raiz, a maneira como o ser humano reconhecia e adquiria conhecimento era outra. Vocês poderão ver (pela minha descrição do tempo da Atlântida e agora - quando for lançado o próximo caderno “Lúcifer” - também pela descrição da época da Lemúria) que naquela época – estendendo-se em parte até nossa época - todo o conhecimento era influenciado por aquilo que está acima da humanidade. Já mencionei várias vezes que somente aquele Manu - que irá aparecer na próxima raça–raiz - será o verdadeiro irmão dos homens, enquanto que os antigos Manus eram sobre-humanos, uma espécie de seres divinos. A partir então a humanidade estará suficientemente madura para ter um Manu humano, que tenha acompanhado todas as etapas desde a metade da época da Lemúria. Afinal, o que vai acontecer durante o desenvolvimento da quinta raça-raiz? Acontecerá que esta revelação (a revelação vinda do alto, a condução da Alma do alto) se retrairá pouco a pouco, deixando a humanidade seguir seu próprio caminho de maneira a tornar-se seu próprio guia. 
A alma passou a ser chamada “a Mãe” em todas as linhas esotéricas (místicas); o orientador é o “pai”. Pai e Mãe, Osíris e Isis, são as duas forças existentes na alma; o orientador, aquele que representa a parte imediatamente divina, este é o Pai, Osíris. A própria alma, Isis, que concebe e recebe o divino espiritual, é a Mãe. Durante a quinta raça-raiz o Pai passa a se retrair. A alma se torna viúva – precisa se tornar viúva. A humanidade está por conta própria. Ela tem que procurar na própria alma a luz da verdade, para poder guiar a si própria. Sempre tudo o que provinha da alma era representado por símbolos femininos. Por isso essa alma – existente hoje na forma de gérmen, e que estará totalmente desenvolvida futuramente – esta alma que se auto-governa, que não tem mais diante de si o fecundador divino - é chamada por Mani de “viúva”. E por isso ele se autodenominava “filho da viúva”.
Mani é o que prepara o tal degrau do desenvolvimento da alma humana que procura sua própria luz espiritual. Tudo que provem dele foi um apelo à própria luz espiritual da alma e, ao mesmo tempo uma revolta de fato contra tudo que não proviesse da alma, da sua própria observação da alma. As belas palavras de Mani, que comovem até hoje e são o “leitmotiv” de seus seguidores em todos os tempos, dizem: “vocês têm que desfazer-se de tudo aquilo que é revelação exterior, que vocês adquirem através dos sentidos! Vocês têm que desfazer-se de tudo que lhes é trazido através de autoridade externa; depois vocês têm que amadurecer para olhar para a própria alma!”

Agostinho, por sua vez, rechaça o princípio – em uma conversa na qual ele se faz de opositor do Faustus maniqueísta – “eu não aceitaria os ensinamentos de Cristo se eles não se baseassem na autoridade da Igreja”. Mas o Faustus maniqueísta responde: “vocês não devem aceitar ensinamento imposto por autoridade; só queremos aceitar um ensinamento pela liberdade”. Isto representa o Aufbäumen da luz do espírito através de seu auto-crescimento, que também na lenda de Fausto é colocado de uma belíssima maneira. 
Encontramos esta controvérsia também em mitos posteriores, da Idade Média. De um lado há o mito de Fausto e contrário a ele há o mito de Lutero. Lutero dá continuidade ao princípio autoritário. Fausto, por sua vez, é aquele que se aufbäumt, que se apóia na luz espiritual interior. Temos no mito de Lutero: “ele atira o tinteiro na cabeça do diabo”. O que se apresenta a ele como Mal é ignorado. Do outro lado temos o pacto de Fausto com o Mal. A faísca é enviada do Reino da Luz ao Reino das Trevas para, ao penetrar nas trevas, redimi-las através de si próprias, para superar o Mal através da brandura. Se olharem isto por este ângulo então também verão que esse maniqueísmo coincide com a visão que acabamos de abordar sobre o Mal. 

Como devemos imaginar a atuação conjunta do Bem e do Mal? Devemos explicar através da sintonia entre Vida e forma. Como a Vida chega à forma? Pelo fato de encontrar uma resistência; por não se expressar de uma só vez, em UMA figura. Observem como a Vida numa planta – digamos o lírio – passa de uma forma à outra. A Vida do lírio criou, expôs, uma forma de lírio.

A Vida ultrapassa a forma quando esta forma se expõe, passando ao gérmen, para mais tarde renascer em uma nova forma, como a mesma Vida. E assim a Vida caminha de forma em forma. A Vida em si não se parece com nada e não poderia in sich selbst wahrnehmbar ausleben. A vida do lírio, por exemplo, está no primeiro lírio e segue caminhando para a segunda, terceira, quarta, quinta flor. Em toda parte encontramos a mesma Vida, que aparece em uma forma delimitada, expandida qual uma urdidura. Ela aparece em uma forma delimitada porque há um um inibidor dessa Vida flutuante. Não haveria forma se a vida não fosse freada, se sua força, que se expande para todos os lados, não fosse inibida. É justamente da Vida que foi sustada – o fato em nível superior parece uma algema – que, no grande cosmo, nasce a forma. 

A Vida presente sempre é revestida pela forma da Vida anterior. Vejamos, por exemplo, a igreja católica. A vida que se desenrolou na igreja católica desde Agostinho até o século XV, era uma vida cristã. O Cristianismo neste contexto é a Vida. Sempre surge de novo essa vida pulsante (mística). A forma, de onde vem a forma? Ela não é senão a vida do velho império romano. Aquilo que ainda era Vida neste antigo império romano petrificou-se em forma. O que antes foi a república, depois império - tudo o que ali viveu em suas manifestações exteriores como estado romano - repassou sua vida, que se enrijeceu na forma, ao futuro cristianismo, inclusive Roma, como era antigamente a capital mundial do império romano. Até os prefeitos romanos tiveram sua continuidade nos presbíteros e bispos. O que antigamente era Vida tornou-se mais tarde a forma para um patamar mais alto da vida.

Não é assim que acontece às pessoas? O que é a vida do ser humano? A fecundação “Mana” (2) é hoje a vida interior do ser humano, que foi plantada nos meados da época da Lemúria. A forma é aquilo que veio como espécie de semente da época lunar. Na época da Antiga Lua o desenvolvimento kamico (3) era a Vida das pessoas. Agora ela é o envoltório, a forma. A vida de uma época anterior sempre se torna a forma de uma época posterior. No entrelaçamento de Vida e forma, surgiu ao mesmo tempo a outra questão: o do Bem e do Mal; pelo fato do Bem de um tempo anterior ter se associado ao Bem de um tempo posterior. Basicamente isto nada mais é do que o entrelaçamento do desenvolvimento à sua própria repressão. Representa também a possibilidade de surgir como matéria, a possibilidade de surgir na vida exterior. Esta é nossa presença humana no âmbito da terra-mineral sólida: a vida interior e a vida de tempos passados que se petrificaram em sua forma sustada. Este é também o ensinamento do maniqueísmo sobre o Mal.
Se questionarmos, a partir deste ponto de vista: o que afinal Mani pretende e o que significa sua fala ser o Parácleto, o espírito, o filho da viúva? Significa nada mais do que seu desejo de preparar a época na qual a humanidade da 6ª raça-raiz será conduzida por si própria, pela própria luz da alma, superando as formas exteriores e transformando-as em espírito.


Mani quer dar origem a uma corrente espiritual que vá além dos rosa-cruzes, uma corrente que ultrapasse a dos rosa-cruzes. Essa corrente do Mani tem como meta a sexta raça-raiz, que está sendo preparada desde a fundação do cristianismo. Só na 6ª raça-raiz o cristianismo estará trazendo sua essência à tona. Só então é que ele estará realmente presente. A vida cristã interior, como tal, sobrepuja qualquer forma, tem continuidade através do cristianismo exterior e está presente em todas as formas dos diversos credos. Quem procurar a vida cristã, sempre a achará. Ele dá origem a formas e rompe formas nos diversos sistemas religiosos. Não se trata de procurar a semelhança nas formas manifestas, mas sentir o fluxo interior da vida, que está presente em todo lugar, abaixo da superfície. No entanto o que ainda precisa ser feito é chegar-se a uma forma para a vida da 6ª raça-raiz. Ela precisará ser criada antecipadamente, porque já precisará existir para que a vida cristã possa ser despejada nela. Essa forma deverá ser preparada por pessoas que criarão tal organização, tal forma, de maneira que a verdadeira vida cristã da 6ª raça-raiz possa conquistar aí seu espaço. Esta forma social exterior deverá emergir da intenção de Mani, do montinho que Mani prepara. A comunidade deverá ser a forma de organização exterior, na qual a chama crística poderá primeiramente conquistar seu lugar.

Com isto pode-se deduzir que esse maniqueísmo em primeira instância almeja sobretudo configurar uma vida externa pura; pois ele deverá atrair pessoas que no futuro oferecerão um recipiente apropriado. Por isso se deu tanta importância a uma atitude moral indubitavelmente limpa e pura. Os cátaros formavam uma seita, que surgiu meteoricamente no século XII. Autodenominavam-se desta maneira porque cátaros quer dizer “os puros”. Eram pessoas que teriam que ter seu modo de vida e conduta moral puros. Deviam praticar a catarse exterior e interior, para formarem uma comunidade pura, que fosse um recipiente puro. Isto é o que pretende o maniqueísmo. Trata-se em menor grau de cultivar a vida interior – a vida também continuará a fluir de outra maneira - mas cultivar em maior grau a forma de vida exterior.

Lancemos agora um olhar sobre como serão as coisas na 6ª raça-raiz. O Bem e o Mal ainda formarão um contraste, mas totalmente diferente do atual. O que irá surgir para toda a humanidade na 5ª era? A fisionomia exterior que cada ser humano apresentar será uma expressão direta daquilo que o carma fez dele até então. Na 6ª raça-raiz isto se apresentará no âmbito espiritual, como um primeiro sinal deste estado de coisas. Naqueles cujo Carma tem um superávit de mal, o Mal aparecerá com maior clareza no âmbito espiritual. De um lado haverá pessoas de uma grandiosa bondade interior, de uma genialidade em amor e bondade; mas o contrário também existirá. O Mal se apresentará como atitude, sem estar encoberto, sem estar oculto, num grande número de pessoas. Os maus irão enaltecer o Mal como algo especialmente precioso. Já há sinais em algumas pessoas geniais, de certa volúpia relacionada ao Mal, ao demoníaco da 6ª raça-raiz. A “besta loira” de Nietzsche, por exemplo, é um sinal disto. 

Este puro Mal precisa ser expulso da corrente do desenvolvimento do mundo, tal qual uma escória. Será expulso na 8ª Esfera. Estamos hoje no limiar de uma época na qual os bons deverão confrontar o Mal com consciência.

A 6ª raça raiz terá a incumbência de inserir novamente o Mal através da brandura, tanto quanto possível, na corrente contínua do desenvolvimento. Então terá surgido uma corrente espiritual que não combate o Mal, apesar deste atuar no mundo através de sua forma demoníaca. A consciência de que o Mal deverá ser novamente integrado ao desenvolvimento, terá se fortificado naqueles que forem os sucessores dos Filhos da Viúva. Isto não será superado através de luta, somente através da brandura. A missão da corrente espiritual do maniqueísmo é preparar isso firmemente. Esta corrente não perecerá - ela atuará nas mais diversas formas. Ela se apresentará com facetas que alguns podem intuir, mas que não precisa ser dito hoje. Se essa corrente se ocupar apenas em cultivar atitudes interiores, ela não alcançará o que deve alcançar. Ela precisa se expressar através da fundação de comunidades que vêem como essencial a Paz, o Amor, o não-resistir ao Mal (através da luta), e que procuram disseminar estes valores. Essas comunidades precisam criar um recipiente - uma forma - para a vida, que também tenha continuidade sem elas. 

Assim vocês entenderão porque Agostinho (o espírito mais significativo da igreja católica, que elaborou a forma da igreja em seu livro “A Cidade de Deus”, que conseguiu criar a forma para o presente) precisava ser o maior adversário da tal forma que preparará o futuro. Dois pólos estão frente a frente: Faustus e Agostinho. Agostinho que constrói através da igreja, através da forma presente; Faustus que quer preparar a compreensão para a forma do futuro, a partir do próprio ser humano.

Este é o antagonismo que se desenvolve no século III e IV depois de Cristo. Ele continua a existir e aparece na luta da igreja católica contra os templários, rosa cruzes, albigenses, cátaros, etc. Todos foram exterminados no plano físico, mas sua vida interior continua atuante. Mais tarde a polaridade se expressa novamente – com menos força, porém ainda intensa – em duas correntes nascidas de uma cultura ocidental, o Jesuitismo (Agostianismo) e a Maçonaria (Maniqueísmo). Os que empreendem a luta de um lado - os católicos e os jesuítas de alto escalão - todos têm consciência disto; mas os do outro lado, os que empreendem a luta de acordo com o espírito de Mani, poucos têm consciência disso; só os mais iniciados têm essa consciência. 

Nos séculos posteriores o jesuitismo (agostianismo) e os maçons (maniqueísmo) encontram-se frente a frente. Estes são os filhos das antigas correntes espirituais. Por isso eles continuam - tanto no jesuitismo quanto na maçonaria – com as mesmas cerimônias de iniciação das antigas correntes. A iniciação da igreja, no jesuitismo, tem os 4 graus: coadjutores temporales, scholares, coadjutores spirituales, professi. Os graus de iniciação da verdadeira maçonaria oculta são semelhantes. Caminham paralelos, mas seguem direções totalmente diferentes.


(1) - NT - no texto original aparece ....(espaço).....(espaço), indicando que o estenógrafo não conseguiu registrar este trecho.
(2) - NT - Mana = força divina
(3) - NT - kama = amor, Eros

Contato: contato@mani.art.br