O caminho maniqueu

O estudo da essência do mal.

 
 
 
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A missão dos maniqueus.

Segundo Rudolf Steiner, a missão dos maniqueus é possibilitar uma verdadeira correlação entre todas as religiões e ligar o cristianismo cada vez mais às idéias do carma e da reencarnação.

Manes, junto com os três educadores da humanidade (Zaratas, Buddha e Skytianos) é transmissor da sabedoria do Cristo.

O impulso maniqueu é redimir o Mal.

Rei do reinado dos Uiguro

Manes é uma individualidade que sempre se encarna de novo na Terra. É o espírito condutor de todos aqueles que têm como missão a redenção do Mal. 

Conforme Manes, o Mal é um Bem no lugar errado e no tempo errado, que se “separou” do UNO – semelhante ao reino mineral, vegetal e animal – para “destilar” o ser humano. “Tudo o que vejo de mal ao meu redor, faz parte de mim. A periferia e o centro são ambos meu Eu.”
O maniqueu vivencia como aspectos do seu próprio ser, tudo o que atinge o ser humano a partir de fora, tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos do destino individual e do destino global. O ser humano mesmo os criou, por isso eles também podem ser transformados e redimidos por ele. No mundo atual talvez tenhamos capacidade para pensar/refletir sobre tal atitude, mas no sentir, que é onírico, e no querer, que é totalmente inconsciente, fica quase impossível de apreender este ideal.
A conseqüência desta visão é que cada ser humano pode redimir o Mal através da brandura. Com isso, através de sua atividade, o ser humano reverte a condição de “separação” e, graças à sua transformação, reintegra o Mal no desenvolvimento da humanidade, superando assim a queda do paraíso. Esta é a tarefa da sexta época cultural, mencionada no Apocalipse como Philadelphia (amor fraternal) nascida da união do Oeste com o Oriente.

Na procura espiritual dos maniqueus, dois aspectos são importantes:

1- a realidade é um entrelaçamento vivo do mundo espiritual e sensorial. A visão do mundo não é dualística, mas monista: em cada elemento sensorial também existe algo de espiritual. Os maniqueus evitavam formar conceitos abstratos. Assim sendo, tentavam orientar suas idéias na realidade viva, de uma maneira artística; tentavam formar representações não só pensadas, mas que fossem tão potentes que pudessem transformar a natureza exterior concreta. Isto é possível se os conceitos são vivos no sentido do monismo, e orientados pela realidade.

2- a meta de Mani era conciliar os antigos mistérios de iniciação com a essência do cristianismo. Na sua época isso ainda não era possível. Porém agora podemos tentar imbuir todas as visões de mundo com o espírito do Cristo cósmico, isto é, de amor universal e respeito à individualidade.....Conscientemente compreender a realidade.

Vamos conhecer um pouco melhor sobre quem era Mani.

Mani nasceu no ano de 215/261 d.C., na Babilônia. Parece que foi vendido a uma viúva, que mais tarde o libertou da escravidão, e lhe deixou, após morrer, uma grande herança, entre outros, os quatro livros com os ensinamentos de Skythianos, que ele estudou profundamente. Parece que aos 12 anos apareceu-lhe um anjo “El Tawan” (gêmeo, companheiro) e lhe revelou o “reino do paraíso de luz”. Conforme escrito nos contos do Egito, o Anjo revelou-lhe os mistérios das alturas e os mistérios das profundezas, o mistério da luz e o mistério das trevas. Doze anos mais tarde, com 24 anos, o anjo “El Tawan” apareceu pela segunda vez, para lhe dizer que poderia começar a espalhar os ensinamentos, primeiro na Pérsia e na Índia, depois na Babilônia -com a ajuda de seu rei Shapur – e adentrar cada vez mais as regiões do Oriente e do Ocidente. Mani era pintor, escritor, músico, médico e astrólogo. Escreveu o Livro dos Mistérios “Tesouros da Vida”.
Passou a ser perseguido a partir de 274. No ano 276/277 morreu na prisão e os maniqueus foram perseguidos e mortos (12.000 só na Pérsia). Em seguida também a igreja católica os perseguiu, principalmente através de Augustinho.

Seus ensinamentos

Mani se enxerga como um apóstolo de Jesus Cristo e um sucessor de Buddha e Zaratustra.

A importância espiritual do maniqueísmo, segundo R. Steiner (Lenda do Templo, R.Steiner GA93)

Rudolf Steiner fala da importância do maniqueísmo como sendo uma corrente espiritual mais importante do que a da Rosacruz. Mani fundou uma corrente espiritual que, na Europa, continuou através dos Albigenses, Waldenses, Cátaros, Bogumilos, Paulicianos, os irmãos da Boemia, etc. Todos eles se reconheciam em Cristo, como amigos de Deus (bogu-mil) e eram apóstolos peregrinos. São representantes do cristianismo vivo, em dogmas. Esta corrente dos peregrinos ficou bem visível até o século 13 (inclusive São Francisco, que nunca teve a intenção de formalizar sua comunidade numa ordem de igreja) e continuou mais tarde em personalidades como Erasmus de Rotterdam, Henry Moore, Marcílio Ficino, que procuravam um cristianismo espiritual: o amor divino que em cada indivíduo se torna a força da liberdade, a consciência moral individual. Estes ideais continuaram na proclamação dos “Bill of Rights” em 1776, na Revolução Francesa, e na Declaração dos Direitos Humanos da ONU (1948). Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos, são dotados de razão e consciência moral e podem se encontrar no espírito da fraternidade: são pensamentos ligados ao cristianismo primordial, como os maniqueus o defenderam.

Mani disse: “Vocês têm que afastar tudo o que é uma revelação exterior, que vem a vós através dos sentidos exteriores. Vocês devem afastar tudo que vem pela tradição através de autoridades exteriores. Então estarão maduros para enxergar sua própria alma”. Enxergar sua própria alma significa tirar o véu de Isis, algo impossível antes de Cristo. Conforme Rudolf Steiner, Mani era uma reencarnação do Jovem de Sais, que tentou desvendar o mistério de Isis sem sucesso, porque não podia perguntar pelo mistério de Sais. Mais tarde, a mesma individualidade em forma de Parcival, tem como tarefa fazer a pergunta quando ele entra no castelo do Graal: a procura de sua própria luz espiritual depende de fazer perguntas!

Será que o Brasil tem a ver com esta corrente maniqueísta? A descoberta do Brasil foi idealizada pela Ordem de Cristo, que por sua vez é remanescente dos Templários.

Os Templários representam o lado esotérico do cristianismo, e estão ligados aos cátaros, os cátaros aos bogumilos e assim por diante, até chegar à corrente dos maniqueus. Não se trata de entender esta corrente como um dualismo entre o Bem e o Mal, como Agostinho o propagou no intuito de difamar esta corrente. È uma corrente monista, no sentido do Mal ter seu papel no mundo e que, em última análise, ele será resgatado e ressuscitado através dos atos dos seres humanos, que se ligam ao Mal tentando transformá-lo de dentro? num Bem, um Bem maior do que se não tivesse existido esse envolvimento com o Mal.

Será que o Brasil, através dos Templários e da Ordem de Cristo, não teria uma ligação com o maniqueísmo, que começou na Pérsia e se espalhou até a China, a Ásia Central, a África e o mundo eslavo? Será que uma das tarefas do maniqueísmo seja juntar Oeste a Leste? Não poderia também se manifestar aqui no Brasil? Semear a essência do Cristianismo, o amor ao próximo e a liberdade do pensar, sem destruir o que existe no país, como Mani tentou fazer, por exemplo, na Índia, com a religião existente do Hinduísmo, na China com o Budismo, na Pérsia com o Zaratustrismo?
Se Cristo realmente morreu e ressuscitou para o mundo todo, deve ser possível uma transformação destas religiões através do impulso crístico, sem destruir o que existe, mas conhecendo a fundo o que existe e transformando-o através da essência cristã (sem insistir nas manifestações externas do cristianismo).

O propósito principal de Mani foi o de libertar o homem interior na medida que o Espírito Santo, emanado de Cristo, entre na alma humana....Mani, tanto quanto Paulo, falam de uma força emanada de Cristo, que chamam de “nous”. Esta força do espírito crístico Mani chama de AMOR. “Onde o amor é pouco, todas as ações são imperfeitas”. A essência da visão de Mani é a de superar o Mal através do Amor ativo, misturando-se ao Mal e assim transformando-o.

    Amar o mal para o bem (Liebe das Boese gut - C. Morgenstern)

    Supere o mal com o bem (Paulus)

A missão de Mani era juntar os mistérios pré-cristãos com o cristianismo, respeitando as características de todas as culturas e cosmovisões indígenas.

Os templários, bogomilos, cátaros e outros religiosos como São Francisco, são inspirados pela corrente maniqueu e assim podemos ver um grande arco da Ásia, via Europa até o Brasil.

Bibiliografia: R. Steiner - GA 93 - GA 233



Contato: contato@mani.art.br